Sinto aos poucos bem
devagar o frio que vem das pequenas frestas das janelas, com um sibilar bem
profundo que chega-se a sentir no âmago. Ainda há lascas de madeira estalando
na lareira mantendo a pequena chama cintilante que mal sustenta a temperatura
do ambiente.
Ao meu redor existem
móveis velhos e alguns novos que são mudados de cômodo para cômodo de tempo em
tempo. Aos poucos o silêncio é tomado por rangidos dos móveis e assovios do
vento gélido que percorre os corredores.
Na janela a neve cai
deixando nos vidros pequenos flocos, formando quase que um vitral natural.
Lembro-me de ter
chegado a este ponto frio e solitário ao perceber a diferença de um ser
racional para um irracional um etéreo ou um imaginário onde a consciência
permanece em tranqüila harmonia longe de mágoas ou barulhos agonizantes que se
manifestam no íntimo de cada um.
Aos poucos percebo a
diferença dos anos que são como sonhos distantes...
Os meses, como dias
nublados...
Aos dias corriqueiros
como as ações precipitadas...
As horas como suspiros
apavorados...
E os segundos como o piscar dos olhos...


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