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Wednesday, November 2, 2011

Sibilar do Frio

Sinto aos poucos bem devagar o frio que vem das pequenas frestas das janelas, com um sibilar bem profundo que chega-se a sentir no âmago. Ainda há lascas de madeira estalando na lareira mantendo a pequena chama cintilante que mal sustenta a temperatura do ambiente.

Ao meu redor existem móveis velhos e alguns novos que são mudados de cômodo para cômodo de tempo em tempo. Aos poucos o silêncio é tomado por rangidos dos móveis e assovios do vento gélido que percorre os corredores.

Na janela a neve cai deixando nos vidros pequenos flocos, formando quase que um vitral natural.
Lembro-me de ter chegado a este ponto frio e solitário ao perceber a diferença de um ser racional para um irracional um etéreo ou um imaginário onde a consciência permanece em tranqüila harmonia longe de mágoas ou barulhos agonizantes que se manifestam no íntimo de cada um.

Aos poucos percebo a diferença dos anos que são como sonhos distantes...
Os meses, como dias nublados...
Aos dias corriqueiros como as ações precipitadas...
As horas como suspiros apavorados...
E os segundos como o piscar dos olhos...


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